A quebra do paradigma mecanicista e a construção de um modelo orgânico para a gestão de pessoas

Antes do advento da Teoria das Relações Humanas e da Escola Comportamental da Administração, as pessoas eram desumanizadas em relação à organização, possuíam apenas a utilidade de gerar resultados, estando desprovidas de objetivos pessoais, mediante a concepção clássica de que a organização era uma máquina, onde cada uma das suas unidades administrativas seria constituída por peças que a engrenavam. Este modelo, chamado de Modelo Mecanicista, vislumbrava, portanto, aspectos quantitativos na empresa: o “saber fazer” era o foco, em detrimento ao enfoque orgânico do “saber por que fazer”, o que expropriava, alienava o homem do processo de produção de bens e/ou serviços visto em sua totalidade. 

Entretanto, com a humanização da empresa, surgida após as observações conduzidas pelo então médico e psicólogo Elton Mayo, realizadas entre 1924 e 1927, episódio este que ficou conhecido para a Administração como “A Experiência de Hawthorne”, somada ainda à depressão de 1929, que foi essencialmente uma crise de oferta, logo, de desgaste do modelo mecanicista, deduziu-se que as organizações são bem mais eficazes quando reconhecem que são construídas e desenvolvidas a partir de seus funcionários. Mais tarde, tal pensamento, recebeu inúmeras críticas, principalmente daquelas escolas relacionadas aos preceitos clássicos. 

O fato é que a partir de então, as pessoas passaram a se constituir como um capital para a empresa, um diferencial para a busca de resultados, não somente de modo quantitativo, dado que é justamente nelas que encontraremos características subjetivas, como a capacidade criativa e proativa, as quais estão e sempre estarão longe de serem intrínsecas a qualquer máquina ou peça de engrenagem. Em suma, as pessoas são possuidoras não somente da força de trabalho física, mas também da força de trabalho intelectual. 

Com vista a este capital intelectual, as organizações buscam o fortalecimento e desenvolvimento das competências pessoais: conhecimento, habilidade e atitude, objetivando, acima de tudo, a fortificação do vínculo existente com as pessoas que a constituem. Daí a importância estratégica da Gestão de Pessoas ou quer seja, dos Recursos Humanos: A intersecção entre os objetivos organizacionais e objetivos ou sonhos individuais.

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